quinta-feira, 17 de julho de 2008

Saiba a hora certa de sair da BOLSA


Pois é galera, ultimamente a bolsa anda de mal a pior, mas para aqueles que tem alguma coisa lá, seguem algumas dicas que o site UOL publicou esta semana:

 http://economia.uol.com.br/financas/investimentos/2008/07/17/ult5346u74.jhtm

Saiba a hora certa de sair do mercado de ações
Sophia Camargo
Toda vez é a mesma história. Enquanto a Bolsa sobe, quem tem um dinheirinho para investir quer entrar no mercado de ações de qualquer jeito. E quando a Bolsa começa a balançar, quem entrou se desespera para sair. Para os especialistas em investimentos, essa conduta está cem por cento errada.

Quando alguém decide investir em ações, deve obedecer a três requisitos: a) conhecer o mercado; b) ter visão de longo prazo e c) aplicar apenas uma quantia que não irá lhe fazer falta.

"A pessoa que entrou quando a Bovespa estava nos 70 mil pontos e agora está se questionando se deve sair porque a Bolsa caiu para os 60 mil pontos nem deveria ter entrado", sentencia Luiz Jurandir Simões de Araújo, consultor da Fipecafi Consulting e professor dos MBA de Finanças da FEA e Fipecafi.

"Ou esta pessoa não entende como funciona a Bolsa, ou aplicou um dinheiro que não podia ou tem visão de curtíssimo prazo", resume.

Erro comum

O professor lembra que um erro muito comum é quando o investidor despreparado se deixa levar pela empolgação das altas constantes da Bolsa e resolve investir valores de que irá necessitar em breve.

"Lembro de um caso de um rapaz que ia ter um filho e aplicou todas as suas economias em ações na tentativa de dobrar o capital. Só que ele investiu em um momento de queda da Bovespa e, quando a criança nasceu, não havia dinheiro nem para pagar o parto", diz Araújo.

Opinião semelhante tem o sócio-diretor da Verax Serviços Financeiros Marcelo Xandó. Para ele, se o investidor decidiu que deve destinar 20% do seu capital a investimentos em renda variável, ele deve manter esse percentual, independentemente das oscilações da Bovespa.

"A pessoa precisa entender que a perda só acontece se ela efetivamente vender os papéis na baixa", diz. No jargão do mercado, isso se chama realização.

Realizar perdas, portanto, significa vender o papel que se comprou com valor maior a um preço menor. Nas grandes tesourarias, que trabalham com grandes volumes financeiros, costuma-se adotar o critério de stop loss.

Traduzindo do economês, significa que a tesouraria escolhe um determinado valor máximo de desvalorização do papel. Se esse ponto é atingido, a tesouraria se desfaz do mesmo, ainda que isso signifique realizar a perda, ou seja, assumir o prejuízo.

"Mas esse tipo de procedimento não costuma ser aplicado a pessoas físicas, com visão de longo prazo, porque, historicamente, quanto maior é o tempo de aplicação na Bolsa, mais ele tende a render mais do que a renda fixa", diz Xandó.

O superintendente de investimentos do Banco Real Eduardo Jurcevic concorda. Segundo ele, estudo recente da empresa avaliando o comportamento da Bovespa mostrou que o retorno médio anualizado da Bolsa de 1999 até agora foi de 28%, bem superior aos 17% anuais da taxa do CDI.

No entanto, quando se retira as dez maiores altas da Bolsa em cada ano, o retorno das ações é inferior ao obtido na renda fixa.

"Isso mostra que somente quem manteve o investimento em Bolsa durante todo o período conseguiu obter o ganho. É muito difícil acertar a entrada e saída durante as grandes altas ou grandes perdas", lembra o executivo.

Quem está na chuva...

O professor da Fipecafi aconselha que as pessoas tenham sangue frio ao investir em ações e não se precipitem nem para sair nem para entrar. "As pessoas são seduzidas pelo curto prazo e os gestores não ajudam. Ficam falando para aproveitar a onda e investir. Mas se esquecem de que cada metro cúbico de água tem aproximadamente uma tonelada. E um dia a onda cai."

Por isso, quem está preparado se sai melhor.

"Não adianta ser médico, dentista, e, de um dia para o outro, resolver especular na Bolsa. É quase certo que vai se dar mal", diz Xandó.

Araújo, porém, faz uma ressalva. Ainda que o investidor tenha seguido todos os conselhos e aplicou um valor que não é fundamental para a sua vida, mas ainda assim passa mal até fisicamente com as quedas da Bolsa, fica provado que a pessoa é avessa a riscos e não tem o perfil adequado para investir em renda variável.

Nesse caso, aconselha, é melhor sair do mercado do que perder a saúde. Como diz o ditado: vão-se os anéis, mas ficam os dedos.

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